A recém-criada orla marítima de Barcelona, construída sobre terrenos industriais recuperados durante as Olimpíadas de 1992. Uma transformação de terreno baldio poluído em espaço de lazer público que define toda a história de Poblenou.
Está prestes a caminhar pela transformação mais improvável de Barcelona. Não se trata do charme medieval do Bairro Gótico ou da elegância Art Nouveau de l'Eixample — esses sempre foram bonitos. Isto é diferente. Há trinta anos, Poblenou era um destroço industrial. Fábricas abandonadas. Praias poluídas. O tipo de lugar sobre o qual os taxistas o avisariam.
Costumavam chamar-lhe a Manchester da Catalunha — e diziam-no como um elogio. Durante mais de um século, de cerca de 1850 a 1960, este bairro foi a casa das máquinas da indústria espanhola. Fábricas têxteis, metalúrgicas, unidades químicas — no seu auge, Poblenou tinha mais fábricas por metro quadrado do que qualquer outro lugar no país. As chaminés eram tão densas que bloqueavam a vista para o mar.
Depois, as fábricas fecharam. Uma por uma, e depois todas de uma vez. Poblenou ficou silencioso. Edifícios esvaziados. Paredes desmoronadas. E por um par de décadas, apenas ficou aqui — à espera.
O que aconteceu a seguir é a história pela qual caminhamos hoje. Artistas mudaram-se para os espaços abandonados. Designers montaram estúdios em antigos armazéns. As Olimpíadas de 1992 limparam a orla marítima. E agora o governo municipal de Barcelona está a tentar transformá-lo num polo tecnológico — o que parece ótimo até conhecer as pessoas que estão a ser deslocadas por isso.
Este passeio cobre cerca de quatro quilómetros em oito paragens, e cada uma delas faz a mesma pergunta: o que acontece quando um bairro se reinventa, e quem decide no que ele se torna?
Está no que costumavam ser os terrenos industriais abandonados da Manchester Catalã. Exatamente aqui, onde está a olhar para banhistas e guarda-sóis, havia fábricas a lançar fumo para o céu. Esta água — era castanha. Poluída. Completamente isolada da cidade por uma linha de comboio que corria ao longo da costa, separando literalmente o bairro do mar.
Depois veio 1992. As Olimpíadas. E Barcelona decidiu fazer algo radical: reinventaram toda a orla marítima.
Não se limitaram a limpar a praia. Enterraram as linhas de comboio. Demoliram as fábricas. Escavaram terra suficiente dos estaleiros de construção para construir literalmente uma nova linha costeira, importando areia para criar as praias de Bogatell, Nova Icària e Mar Bella — cinco quilómetros de areia onde costumava haver ruína industrial. As torres Mapfre e o Hotel Arts ergueram-se dos escombros. O Porto Olímpico transformou a própria água.
Mas aqui está o que importa: eles não apagaram o que veio antes. Caminhe por Poblenou — ainda verá as chaminés. As velhas paredes de pedra. As fábricas convertidas que agora abrigam galerias de arte e estúdios de design. Porque as Olimpíadas não destruíram a história de Poblenou, interromperam-na. E o que acontece a seguir — é isso que está aqui para entender.
Fique aqui. Sinta esta água. Agora é pública. Esse é o primeiro indício de que um bairro se recusou a deixar que o seu passado se tornasse o seu fim.
Essa é a primeira paragem, dentro do próprio passeio. As 7 paragens restantes, o mapa e o percurso entre elas abrem-se com uma conta gratuita.
Continuar o passeioO passeio escrito é gratuito.
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