Westbourne Grove é a face contemporânea de Notting Hill, repleta de boutiques, locais para brunch e moda de grife que refletem a transformação do bairro em um dos endereços mais desejados de Londres.
Bem-vindo a Westbourne Grove, onde o cappuccino é excelente e as boutiques são incessantes. Este trecho é a face polida de Notting Hill — aquela que enriqueceu agentes imobiliários e tornou o bairro famoso no Instagram. Mas aqui está o que talvez não saiba: estas ruas nem sempre foram tão desejadas. Cinquenta anos atrás, estes mesmos terraços vitorianos estavam em ruínas, eram acessíveis e atraíam artistas, músicos e famílias que fugiam das convenções. Então, como um bairro de rebeldes contraculturais se tornou o código postal mais cobiçado de Londres? É essa a pergunta que estamos aqui para responder. Nas próximas duas horas, vamos desvendar as camadas — desde as vitrines de grife que vê agora, até ao espírito boêmio que moldou o lugar, a herança caribenha que lhe deu alma e a tradição do mercado que a mantém autêntica. Notará que Notting Hill adora as suas contradições: boutiques de luxo ao lado de lojas de vinil, elegância georgiana e arte urbana, dinheiro e memória vivendo lado a lado. Por isso, mantenha os olhos abertos. A história aqui não está nas janelas, mas nas paredes, na música e nas pessoas que tornaram este bairro muito mais interessante do que os postais sugerem.
Bem-vindo a Westbourne Grove, que é essencialmente o limite entre a Notting Hill como vive hoje e o passado muito mais complexo do bairro. Olhe ao seu redor. As boutiques independentes, as cafeterias com leite de aveia, as fachadas em tons pastéis, as vitrines cuidadosamente selecionadas — esta é a superfície gentrificada de Notting Hill, a versão que provavelmente já viu mil vezes no Instagram. É real, é agradável e as pessoas adoram estar aqui. Mas é também a versão mais recente de uma rua que se reinventou várias vezes.
A história de Westbourne Grove como rua comercial é, na verdade, bastante recente. As lojas começaram a surgir apenas na década de 1850, quando os edifícios vitorianos foram erguidos. Antes disso, eram vilas — o tipo de casa para onde os ricos mercadores de Londres se mudavam por quererem espaço verde e distância do centro industrial. Por volta de 1859, a transformação já chocava as pessoas: as vilas eram rapidamente substituídas por lojas que, segundo descrições da época, eram "insuperáveis por qualquer outra em Londres". Portanto, a ideia de este ser um endereço prestigioso e aspiracional está presente desde o início.
Mas eis algo que ninguém lhe conta: durante a maior parte do século XX, Westbourne Grove não era um desfile elegante de boutiques. Era comum. Eram lojas locais onde as pessoas realmente compravam os seus mantimentos. Era a espinha dorsal de um bairro operário. O que mudou foi simples e total: as rendas. Por volta de 2007, quando se podia alugar uma pequena loja em Westbourne Grove, algo mudou. A área a leste de Chepstow Road — mais perto de Bayswater e do grande centro de transportes em Queensway — tornou-se subitamente elegante novamente. Quando os contratos antigos expiraram, os proprietários puderam cobrar o que o mercado aguentava. E o mercado, descobriu-se, aguentava muito. As empresas familiares que geriam lojas aqui há décadas — talhantes, mercearias, lojas de ferragens — simplesmente não conseguiam renovar os seus contratos. Fecharam e foram substituídas por restaurantes e lojas que atendiam pessoas que podiam pagar 12 libras por um cappuccino e 400 libras por jeans.
Isto é importante para entender o que está prestes a percorrer nesta excursão. Westbourne Grove é o lugar onde a gentrificação é mais visível, mais polida, mais descarada. É o lugar onde a transformação do bairro está completa. Mas é também um lugar útil para começar, pois levanta a questão que passaremos as próximas horas a responder: como é que um bairro de casas vitorianas em ruínas se tornou nisto? O que estava por baixo disto?
Dedique um momento a olhar para as fachadas dos edifícios enquanto caminha. Notará que, por baixo das fachadas das lojas de design, a estrutura dos edifícios vitorianos ainda lá está. As proporções, as molduras, o tijolo original. As bonitas casas em tons pastéis que tornaram Notting Hill famosa no Instagram na década de 2010 — ainda não chegámos a essas, elas estão a vir — mas são da mesma época, do mesmo boom vitoriano. O que mudou não foram os edifícios, mas quem queria viver neles, quem queria abrir negócios aqui e, mais importante, quem podia pagar.
E aqui é onde a sua caminhada se torna interessante. A apenas algumas ruas de distância fica Portobello Road, onde o verdadeiro coração do bairro ainda existe — o mercado que atraiu boêmios e artistas para Notting Hill em primeiro lugar. E a poucas ruas na outra direção fica All Saints Road, uma rua com uma história muito diferente, ligada à imigração e à comunidade e ao tipo de vitalidade cultural que não se pode fabricar, independentemente de quantas boutiques abra. A gentrificação que vemos em Westbourne Grove aconteceu por causa do que existia nessas outras ruas. As pessoas queriam fazer parte deste bairro por causa das suas histórias, da sua autenticidade, da sua essência. E uma vez que queriam estar aqui, as rendas subiram e, lentamente, as mesmas coisas que tornaram o bairro magnético em primeiro lugar foram empurradas cada vez mais para as margens.
Portanto, enquanto desfruta do seu cappuccino em Westbourne Grove, guarde este pensamento: estamos a começar pela superfície. As próximas oito paradas vão mostrar-lhe o que está por baixo.
Essa é a primeira paragem, dentro do próprio passeio. As 8 paragens restantes, o mapa e o percurso entre elas abrem-se com uma conta gratuita.
Continuar o passeioO passeio escrito é gratuito.
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