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Mercado de la Ribera
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Paragem 1 de 9 · ~5 min

Mercado de la Ribera

O mercado Art Deco à beira-rio, construído em 1929, ergue-se num local onde se vende comida desde a carta de fundação de Bilbau em 1300 e que foi outrora um dos maiores mercados cobertos da Europa. Hoje, divide-se entre bancas de peixe, carne e produtos frescos no andar de cima e uma animada praça gastronómica de pintxos no piso inferior.

A história

Bem-vindo às entranhas de Bilbau. Começamos aqui, no Mercado de la Ribera, porque antes desta cidade ser fé, antes de ser orgulho basco, antes de qualquer uma das grandes igrejas de pedra que vamos visitar — ela era fome, e o mercado que a saciava. Fique aqui um segundo e apenas absorva tudo. O edifício longo e baixo que se estende ao longo do rio como um transatlântico atracado, o cheiro do estuário misturando-se com o peixe, o café e o presunto curado que flutua pelas portas. É aqui que a vida quotidiana da Cidade Velha bate mais forte, e tem sido assim há muito, muito tempo.

Eis o que apanha a maioria dos visitantes de surpresa. Isto não é apenas um mercado antigo — assenta num local onde se vende comida desde a fundação da cidade. Quando Bilbau obteve a sua carta de fundação em 1300, já se negociava num mercado exatamente aqui na margem do rio. Portanto, há mais de sete séculos, aproximadamente quarenta gerações, este pedaço exato de terra junto à água é onde os habitantes locais vêm comprar o jantar. O edifício mudou, as bancas mudaram, o peixe mudou (na maior parte) — mas o hábito não. Esse é o fio que quero que leve consigo toda a manhã: a Cidade Velha de Bilbau, as famosas Sete Ruas nas quais vamos entrar, não é um museu. É um bairro vivo, que respira e come, e este mercado é a prova disso.

Agora olhe para cima, para o edifício em si, porque é uma beleza. O que está a ver foi construído em 1929 e é puro Art Deco — aquelas linhas geométricas limpas, as curvas como as de um navio, os maravilhosos vitrais. O arquiteto aproveitou o ambiente ribeirinho e fê-lo parecer um grande navio atracado no cais. Durante anos, deteve o recorde de um dos maiores mercados cobertos de toda a Europa, uma enorme catedral da comida. E essa palavra, catedral, é deliberada — porque hoje vamos subir das entranhas de Bilbau até à sua alma, e parece certo começar no lugar que nutre o corpo antes de partirmos à procura dos lugares que nutrem o espírito.

Deixe-me explicar-lhe como funciona o mercado, porque está dividido em dois mundos. Suba e estará no mercado tradicional — as bancas de trabalho onde os peixeiros, talhantes e merceeiros ainda negociam, onde as avós locais vêm com os seus carrinhos de compras discutir o preço da pescada, onde as bancas de peixe brilham com a captura do dia, diretamente do Mar Cantábrico. Isto é o verdadeiro negócio, ainda a cumprir o trabalho para o qual foi construído. Depois, desça ao piso inferior e tudo muda. Aqui em baixo fica a praça gastronómica — um hall moderno e vibrante de bares de pintxos e bancas onde se come em vez de fazer compras. O txakoli, o vinho branco basco fresco e ligeiramente efervescente, é servido de uma altura para lhe dar ar. Pequenos espetos de anchova, azeitona e pimento em conserva — o gilda, batizado, de forma atrevida, em homenagem à personagem de Rita Hayworth no cinema, porque era considerado "verde, salgado e um pouco picante". Experimente um. É Bilbau a dizer olá.

E isso leva-me a uma primeira lição suave sobre a etiqueta dos pintxos, porque vai precisar dela mais tarde. Os pintxos não são uma refeição sentada. O modo basco é ficar de pé, pedir uma bebida e um ou dois pintxos, comê-los ao balcão e seguir para o próximo local. Cinco bares, quinze minutos cada — essa é uma noite como deve ser. Não se instale numa mesa à espera que tudo venha até si. O objetivo é o movimento, a multidão, o périplo de balcão em balcão. Aqui, isso tem até um nome, o txikiteo ou poteo, o ritual de caminhar de bar em bar com um pequeno copo na mão. Guarde isto na memória, porque mais tarde no passeio vou levá-lo à Plaza Nueva — o outro grande templo de pintxos desta Cidade Velha, uma grande praça com arcadas onde os bares estão alinhados ombro a ombro. Este mercado é um santuário da alma comestível de Bilbau; a Plaza Nueva é o outro. Lá chegaremos.

Enquanto estiver aqui, lance um olhar rio acima para aquela bela igreja gótica quase debruçada sobre a água — essa é San Antón, e está entrelaçada na identidade da cidade; a igreja e a sua antiga ponte aparecem, de facto, no brasão de Bilbau. Mercado e igreja, lado a lado na margem do rio, comida e fé a curta distância um do outro. Isso não é coincidência, é toda a história deste bairro numa única vista: o sagrado e o delicioso, partilhando sempre as mesmas ruas.

Então, aqui é para onde vamos. Pense no dia de hoje como uma subida, das entranhas à alma. Começamos bem aqui, no mercado e nas ruas dos pintxos — a Cidade Velha viva, quotidiana e deliciosa. Daqui, entraremos nos ossos medievais do local: a catedral e as Sete Ruas originais que deram nome a este bairro. Depois vamos mais fundo, na camada basca — o museu, as praças, o lugar onde a língua basca é guardada e ensinada. E então, literalmente, subimos: por um longo lanço de escadas, para um parque no topo da colina onde uma antiga chaminé de siderurgia liga esta colina à história industrial de ferro e fogo de Bilbau, e finalmente à basílica da Amatxu, a "pequena mãe" que zela por toda a cidade lá do alto.

Das entranhas à alma. Vamos começar. Termine a última dentada e siga-me em direção à catedral.

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Catedral de Santiago

Essa é a primeira paragem, dentro do próprio passeio. As 8 paragens restantes, o mapa e o percurso entre elas abrem-se com uma conta gratuita.

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O passeio escrito é gratuito.