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Quartel-General da Gestapo (Avenue Foch)
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Paragem 1 de 10 · ~4 min

Quartel-General da Gestapo (Avenue Foch)

Quartel-general da polícia secreta nazi e centro de interrogatórios na mais elegante avenida residencial de Paris. Os vizinhos ouviam gritos vindos do sexto andar; hoje, o edifício não mostra qualquer marca do que aconteceu aqui.

A história

Ao longo das próximas horas, caminharemos por Paris tal como existiu durante os quatro anos de ocupação nazi e as dolorosas complexidades que definiram este período. As ruas que atravessaremos contam histórias de resistência e colaboração, de pessoas comuns a fazer escolhas impossíveis e de como uma cidade resistiu sob domínio militar estrangeiro. Este passeio não oferece narrativas simples de bem contra o mal, mas sim um ajuste de contas honesto com a forma como a ocupação transformou Paris e o seu povo. Começamos em locais de poder e controlo alemão, depois passamos por locais de resistência ativa e de sofrimento daqueles que foram alvo de perseguição e morte. Encontraremos memoriais que homenageiam os deportados, museus que documentam a luta clandestina e, finalmente, o local onde Paris foi declarada livre. Estes locais carregam o peso da história e os nomes de pessoas reais cujas vidas mudaram para sempre. À medida que percorremos estes espaços, pedimos-lhe que considere como as pessoas comuns responderam a circunstâncias extraordinárias e o que esta história nos pode ensinar sobre coragem, cumplicidade, memória e a fragilidade da liberdade. Pare aqui na Avenue Foch e olhe para o número 84. É um edifício residencial como qualquer outro — alto, de pedra clara, elegante da forma discreta do 16.º arrondissement. Bem conservado. Respeitável. Foi precisamente isso que o tornou útil. Quando os alemães ocuparam Paris em 1940, não esconderam o seu terror em masmorras ou campos nos limites da cidade. Eles instalaram-no aqui, numa das avenidas mais elegantes de Paris, em edifícios onde viviam famílias, onde trabalhavam empregados, onde os vizinhos observavam das suas janelas. Este é o quartel-general do SD — o Sicherheitsdienst, o serviço de inteligência e contra-inteligência das SS. Operava abertamente, mas o seu verdadeiro trabalho acontecia à porta fechada. Nos quarteirões que rodeiam este local, a Gestapo e os seus colaboradores alugaram vários edifícios. Usaram-nos como centros de interrogatório. O sexto andar do número 84 da Avenue Foch foi convertido em salas de tortura e celas. E aqui está o que assombra a geografia deste local: os vizinhos ouviam os gritos. Através das paredes, através das janelas, através da elegante avenida, o som da tortura chegava aos apartamentos dos parisienses comuns. Viviam com o conhecimento do que acontecia acima das suas cabeças. Pense nesta proximidade por um momento. A opressão não se anunciou em Paris. Mudou-se para lá como um vizinho. Neste sexto andar, interrogavam agentes aliados e combatentes da resistência capturados. Conhecemos alguns dos seus nomes porque se tornaram famosos, ou porque as suas mortes foram documentadas. Violette Szabo. Diana Rowden. Frank Pickersgill. Eram do SOE — Special Operations Executive — enviados da Grã-Bretanha para coordenar com as redes de resistência francesas. A Gestapo extraía o que podia através da tortura e depois matava-os. Também sabemos que Jean Moulin foi trazido para aqui. Foi preso em Lyon em junho de 1943 e transferido para Paris. Klaus Barbie — o "Carniceiro de Lyon" — e um interrogador alemão chamado Ernst Misselwitz interrogaram-no aqui, espancando-o tão gravemente que Moulin morreu dos ferimentos a 8 de julho de 1943. Tinha oficialmente 43 anos. Já se tinha tornado um símbolo da resistência unificada. Há outra história deste edifício que revela a psicologia do lugar. Um homem chamado Brossolette foi mantido aqui. Após dois dias e meio de interrogatório, recuperou consciência suficiente para entender o que estava a acontecer: estava a quebrar. Sabia os nomes dos seus colegas, as suas redes, os seus esconderijos. Em vez de os revelar, levantou-se na sua cela no sexto andar e atirou-se pela janela. Escolheu a morte em vez da traição. Esse ato de desafio é a única dignidade que sobrevive neste edifício. Quando passa pelo 84 da Avenue Foch hoje, não há placa. Não há memorial. Não há sinal. O edifício funciona agora como um museu, preservado na sua beleza terrível. A ausência de comemoração é, em si, digna de estudo: uma decisão de não marcar o passado, de deixar o edifício como está, comum e elegante, escondendo o que contém. É assim que a repressão se integra na civilização. Não na escuridão, mas à luz do dia, em propriedades caras, atrás de janelas polidas. A geografia do terror é também a geografia da própria Paris — indistinguível dela, inseparável dela, à espera que olhemos de perto e nos lembremos.

Seguinte — paragem 2 de 10

Local do Memorial do Vel' d'Hiv

Essa é a primeira paragem, dentro do próprio passeio. As 9 paragens restantes, o mapa e o percurso entre elas abrem-se com uma conta gratuita.

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O passeio escrito é gratuito.