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Puente de Santa Catalina
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Paragem 1 de 8 · ~5 min

Puente de Santa Catalina

A ponte mais antiga da cidade, construída originalmente em madeira na Idade Média, reconstruída em pedra segundo o projecto neoclássico de Antonio Cortázar e inaugurada em 1872. Marca a fronteira histórica entre a cidade velha amuralhada e a margem leste operária, do outro lado do Urumea.

A história

Bem-vindo a San Sebastián, ou Donostia, se preferir dizer como os habitantes locais. A maioria dos visitantes nunca deixa a metade postal desta cidade, a curva elegante de La Concha e a cidade velha. Hoje faremos o oposto: atravessaremos o rio até Gros, a margem leste, o lado onde as pessoas realmente vivem, o lado que não para de se reinventar. Esta é a cidade que trabalha, surfa e se reconstrói, e tudo começa aqui, numa ponte.

Fique no meio da Puente de Santa Catalina e sinta as duas direcções a puxá-lo. Atrás de si está a San Sebastián antiga, a cidade amuralhada, o coração turístico. À sua frente, do outro lado da água, está a outra margem. Durante a maior parte da história desta cidade, essa diferença era tudo. Um rio, duas cidades.

Este é o ponto de travessia mais antigo de San Sebastián, desde há muito tempo. Existe uma ponte neste local desde a Idade Média, mencionada em documentos do século XIV como uma simples estrutura de madeira. Naquela época, a margem que vê à sua frente não era um bairro. Eram pântanos, planícies de maré e pomares, uma zona inundável onde o Urumea se espalhava antes de encontrar o mar. A cidade era a pequena península atrás de si, cercada por muralhas. Esta ponte era o fio que unia a cidade piscatória a toda aquela terra vazia e húmida do lado leste, a terra que um dia se tornaria Gros.

Note como parece sólida e permanente agora, com pedra clara e arcos elegantes. Não se deixe enganar. Esta ponte foi uma das estruturas mais destruídas e reconstruídas da cidade. As versões de madeira queimaram, colapsaram e foram arrastadas com regularidade. Em 1813, durante o grande cerco que devastou San Sebastián, a ponte foi destruída. Queimou novamente em 1835 durante as guerras carlistas, quando os defensores da cidade a incendiaram para impedir a entrada de um exército atacante. Pense nisto: num único trecho do século XIX, esta travessia foi reconstruída em madeira cerca de sete vezes, carregando sempre o mesmo nome, Santa Catalina. Sete pontes em setenta anos. Uma fronteira é um lugar perigoso para construir.

A ponte de pedra onde está é a que finalmente resistiu. Foi desenhada pelo arquitecto Antonio Cortázar num estilo neoclássico e inaugurada em 1872, tornando-se a ponte sobrevivente mais antiga da cidade. Aqui está um detalhe que quase ninguém nota: foi originalmente construída com cinco arcos, mas perdeu um. Quando o Urumea foi canalizado para criar o passeio fluvial, um dos arcos foi simplesmente engolido pelo novo aterro.

Agora olhe rio abaixo, em direcção ao mar. Vê aquelas duas grandes formas claras perto da praia, que parecem blocos de gelo fosco? São os cubos do Kursaal, a nossa próxima paragem. Guarde-os na memória, pois contêm uma das melhores histórias de decadência e renascimento da cidade.

Se olhar na direcção oposta, rio acima, verá uma ponte mais imponente e ornamentada ao longe. É aí que terminaremos este passeio, na travessia construída para a realeza que chegava de comboio nos tempos de resort de luxo. Guarde essa ideia também.

Porque essa é a ideia por detrás de tudo o que vamos percorrer. Sempre que San Sebastián se reinventou — como estância real, cidade industrial, cidade do surf ou capital da cultura — a mudança atravessou primeiro este rio e enraizou-se na margem oposta. Esta modesta ponte é onde o futuro da cidade continuou a chegar.

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