A Ponte Sant'Angelo, a ponte antiga adornada com anjos barrocos, situa-se num limiar — o rio Tibre a separar a Roma ocupada do território do Vaticano, uma travessia que ofereceu a ténue possibilidade de refúgio durante os nove meses de ocupação nazi.
Esta visita percorre a história de Roma durante a guerra — os nove meses de ocupação nazi entre setembro de 1943 e junho de 1944 que transformaram a cidade numa paisagem de perseguição, resistência e sobrevivência. Começamos numa ponte que serviu de rota de fuga, passamos pelo bairro judaico onde uma comunidade com 2.000 anos foi destruída numa única manhã, testemunhamos a maquinaria do terror da Gestapo, paramos no local do pior massacre de Roma e terminamos numa basílica que ofereceu santuário. Os locais deste percurso não são história distante. O último sobrevivente da deportação de outubro de 1943 morreu em 2022. As pedras memoriais de latão no pavimento são polidas pelos pés das pessoas que caminham para o trabalho. As celas na Via Tasso ainda exibem as mensagens riscadas pelos prisioneiros. Este é um terreno emocionalmente exigente. Tome o tempo que precisar em cada paragem. O silêncio é tão apropriado quanto as palavras. Estas coisas aconteceram aqui, a pessoas reais, na memória viva. Está sobre uma das travessias mais antigas de Roma. Adriano construiu esta ponte há quase dois mil anos e, durante dezoito séculos, foi simplesmente uma passagem — civis e peregrinos, comerciantes e soldados, todos movendo-se livremente pelo Tibre. Mas, em setembro de 1943, a geografia tornou-se destino. Quando as forças alemãs ocuparam Roma a 9 de setembro de 1943, dois dias após a rendição da Itália, a cidade transformou-se da noite para o dia. A Wehrmacht entrou. A lei marcial impôs-se. O Tibre, que tinha sido um rio, tornou-se uma linha — e na margem ocidental ficava a Cidade do Vaticano, na qual os alemães tinham concordado não entrar. Esse acordo, por mais frágil que fosse, significava que, para oito mil judeus que viviam em Roma, esta estreita faixa de água representava a diferença entre a exposição e a ocultação. O Gueto Judaico, onde a maioria dos judeus romanos vivia e trabalhava, ficava logo atrás de si na margem oriental — confinado em quatro blocos densos perto do Teatro de Marcelo, delimitado pelo próprio rio. Quando as rusgas começaram, aqueles que podiam fugir moviam-se em direção às pontes. A Ponte Sant'Angelo era um dos pontos de travessia. Podia atravessá-la abertamente; esse era tanto o seu uso como o seu terror. Não eram necessários documentos para atravessar. Mas as patrulhas alemãs também operavam na cidade. Em outubro de 1943, menos de um mês após o início da ocupação, as SS chegaram. A 16 de outubro, cercaram o Gueto antes do amanhecer. Na confusão e no medo, algumas famílias dispersaram-se. Algumas tentaram fugir. Aqueles que alcançaram a proteção do Vaticano — que conseguiram atravessar uma destas pontes, que encontraram uma instituição católica disposta a escondê-los — sobreviveram. Por cada judeu que os alemães capturavam em Roma, pelo menos dez escapavam e escondiam-se, muitos abrigados pela Igreja. Mais de quatro mil e setecentos encontraram refúgio em instituições católicas por toda a cidade. Mas nem todos conseguiram atravessar. Mais de mil foram deportados de Roma nessa manhã de outubro; quase nenhum regressou. Esta ponte viu tudo. O tráfego pedestre comum da ocupação. Os cálculos desesperados de uma família a decidir se devia fugir. A aposta de que estes poucos metros de pedra e água poderiam significar mais um dia de vida.
Essa é a primeira paragem, dentro do próprio passeio. As 7 paragens restantes, o mapa e o percurso entre elas abrem-se com uma conta gratuita.
Continuar o passeioO passeio escrito é gratuito.
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