Roma em tempo de guerra: Judeus, Nazis e a Resistência (1940-1945)
Roma · Italy

Roma em tempo de guerra: Judeus, Nazis e a Resistência (1940-1945)

Roma, Italy
116
Duração (min)
9.8
Distância (km)
8
Paragens
Fácil
Dificuldade

Descrição

Paragens do Tour

Ponte Sant'Angelo
1

Ponte Sant'Angelo

3 min

A Ponte Sant'Angelo, a ponte antiga adornada com anjos barrocos, situa-se num limiar — o rio Tibre a separar a Roma ocupada do território do Vaticano, uma travessia que ofereceu a ténue possibilidade de refúgio durante os nove meses de ocupação nazi.

Gueto Judaico
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Gueto Judaico

5 min

A 16 de outubro de 1943, 365 forças de segurança alemãs isolaram estas ruas ao amanhecer. Ao meio-dia, tinham detido 1.022 judeus romanos. No prazo de dois dias, comboios de carga levaram-nos para norte, para Auschwitz. Apenas 16 regressaram.

Memorial das Pedras de Tropeço
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Memorial das Pedras de Tropeço

3 min

Pequenas placas de latão inseridas no pavimento romano marcam as casas onde judeus viviam antes da deportação. Cada Stolperstein — um projeto do artista alemão Gunter Demnig — ostenta um nome, uma data de nascimento e uma data de detenção.

Grande Sinagoga de Roma
4

Grande Sinagoga de Roma

5 min

A Grande Sinagoga de Roma ergue-se proeminentemente na margem do Tibre — uma fortaleza de fé que sobreviveu à ocupação nazi e à deportação de outubro de 1943 que vitimou mais de 1.000 judeus de Roma. No interior, o Museu Judaico documenta essa perda e as redes de resgate que salvaram milhares mais.

Basílica di San Clemente
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Basílica di San Clemente

4 min

As cicatrizes de guerra visíveis da Basílica di San Clemente lembram-nos que o sofrimento de Roma durante a ocupação nazi se estendeu muito para além do bairro judaico. Apesar de ter sido declarada "Cidade Aberta", a cidade sofreu repetidos ataques de bombardeamento que tocaram todos os bairros, deixando marcas físicas que persistem até hoje.

Museu Via Tasso
6

Museu Via Tasso

5 min

Este edifício albergou o quartel-general das SS e da Gestapo durante a ocupação nazi de Roma, onde prisioneiros eram interrogados, torturados e mantidos em celas muradas. Hoje serve como Museu da Libertação de Roma, preservando a maquinaria do terror ao lado da história daqueles que resistiram.

Memorial das Fossas Ardeatinas
7

Memorial das Fossas Ardeatinas

7 min

Em 24 de março de 1944, 335 homens e rapazes — incluindo 75 judeus capturados nas ruas — foram executados nestas grutas como represália nazista a um ataque da resistência. Hoje, o memorial preserva a sua memória com uma força austera.

Memorial das Fossas Ardeatinas
8

Memorial das Fossas Ardeatinas

4 min

A 24 de março de 1944, 335 homens e rapazes — incluindo 75 judeus apanhados nas ruas — foram executados nestas grutas como represália nazi por um ataque partidário. Hoje, o memorial mantém a sua memória com um poder austero.

Uma amostra do tour

Esta é a história real de uma das paragens deste percurso — cada paragem tem a sua.

Ponte Sant'Angelo

Esta visita percorre a história de Roma durante a guerra — os nove meses de ocupação nazi entre setembro de 1943 e junho de 1944 que transformaram a cidade numa paisagem de perseguição, resistência e sobrevivência. Começamos numa ponte que serviu de rota de fuga, passamos pelo bairro judaico onde uma comunidade com 2.000 anos foi destruída numa única manhã, testemunhamos a maquinaria do terror da Gestapo, paramos no local do pior massacre de Roma e terminamos numa basílica que ofereceu santuário. Os locais deste percurso não são história distante. O último sobrevivente da deportação de outubro de 1943 morreu em 2022. As pedras memoriais de latão no pavimento são polidas pelos pés das pessoas que caminham para o trabalho. As celas na Via Tasso ainda exibem as mensagens riscadas pelos prisioneiros. Este é um terreno emocionalmente exigente. Tome o tempo que precisar em cada paragem. O silêncio é tão apropriado quanto as palavras. Estas coisas aconteceram aqui, a pessoas reais, na memória viva. Está sobre uma das travessias mais antigas de Roma. Adriano construiu esta ponte há quase dois mil anos e, durante dezoito séculos, foi simplesmente uma passagem — civis e peregrinos, comerciantes e soldados, todos movendo-se livremente pelo Tibre. Mas, em setembro de 1943, a geografia tornou-se destino. Quando as forças alemãs ocuparam Roma a 9 de setembro de 1943, dois dias após a rendição da Itália, a cidade transformou-se da noite para o dia. A Wehrmacht entrou. A lei marcial impôs-se. O Tibre, que tinha sido um rio, tornou-se uma linha — e na margem ocidental ficava a Cidade do Vaticano, na qual os alemães tinham concordado não entrar. Esse acordo, por mais frágil que fosse, significava que, para oito mil judeus que viviam em Roma, esta estreita faixa de água representava a diferença entre a exposição e a ocultação. O Gueto Judaico, onde a maioria dos judeus romanos vivia e trabalhava, ficava logo atrás de si na margem oriental — confinado em quatro blocos densos perto do Teatro de Marcelo, delimitado pelo próprio rio. Quando as rusgas começaram, aqueles que podiam fugir moviam-se em direção às pontes. A Ponte Sant'Angelo era um dos pontos de travessia. Podia atravessá-la abertamente; esse era tanto o seu uso como o seu terror. Não eram necessários documentos para atravessar. Mas as patrulhas alemãs também operavam na cidade. Em outubro de 1943, menos de um mês após o início da ocupação, as SS chegaram. A 16 de outubro, cercaram o Gueto antes do amanhecer. Na confusão e no medo, algumas famílias dispersaram-se. Algumas tentaram fugir. Aqueles que alcançaram a proteção do Vaticano — que conseguiram atravessar uma destas pontes, que encontraram uma instituição católica disposta a escondê-los — sobreviveram. Por cada judeu que os alemães capturavam em Roma, pelo menos dez escapavam e escondiam-se, muitos abrigados pela Igreja. Mais de quatro mil e setecentos encontraram refúgio em instituições católicas por toda a cidade. Mas nem todos conseguiram atravessar. Mais de mil foram deportados de Roma nessa manhã de outubro; quase nenhum regressou. Esta ponte viu tudo. O tráfego pedestre comum da ocupação. Os cálculos desesperados de uma família a decidir se devia fugir. A aposta de que estes poucos metros de pedra e água poderiam significar mais um dia de vida.

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