O Southwark de Shakespeare
Londres · United Kingdom

O Southwark de Shakespeare

Londres, United Kingdom
110
Duração (min)
2.1
Distância (km)
9
Paragens
Fácil
Dificuldade

Descrição

Atravesse o Tamisa em direção ao bairro mais rebelde de Londres, onde os teatros prosperaram porque a lei não os alcançava. Caminhe da moderna Millennium Bridge, passando por teatros elisabetanos, prisões medievais e o palácio de um bispo, até o local da Old London Bridge — a travessia que criou a extraordinária história de Southwark.

Pontos de Destaque

Atravesse a Millennium Bridge em direção a Southwark, refazendo o percurso que os espectadores de teatro elisabetanos faziam de barco Fique diante do Shakespeare's Globe, o teatro reconstruído de 1599 onde as suas peças ganham vida Descubra a escavação do Rose Theatre — as fundações reais de um teatro elisabetano Caminhe pela Clink Street e Winchester Palace, onde um bispo medieval administrava prisões e licenciava bordéis Termine na Old London Bridge, a travessia medieval que tornou Southwark possível

Paragens do Tour

Millennium Bridge
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Millennium Bridge

5 min

Uma ponte estaiada moderna que liga a City of London à South Bank, enquadrando a mesma travessia de rio que os espectadores de teatro elisabetanos faziam séculos atrás. A partir daqui, a St Paul's Cathedral surge atrás de si, enquanto a Tate Modern e os centros culturais de Southwark o aguardam à frente.

Tate Modern
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Tate Modern

12 min

A Bankside Power Station, um marco industrial desativado de 1963, foi transformada na Tate Modern, um dos principais museus de arte contemporânea do mundo. Esta conversão de utilidade funcional em instituição cultural exemplifica a reinvenção perpétua de Southwark como um espaço onde o marginal se torna magnífico.

Shakespeare's Globe
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Shakespeare's Globe

18 min

Uma reconstrução meticulosa do teatro elisabetano de 1599 onde as peças de Shakespeare estrearam perante públicos barulhentos. Este teatro ao ar livre personifica a razão pela qual Southwark se tornou a potência cultural que foi — operava fora da jurisdição da City, livre para inovar e provocar.

Rose Theatre Archaeological Site
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Rose Theatre Archaeological Site

5 min

As fundações reais escavadas de um teatro elisabetano onde as obras de Shakespeare e Marlowe estrearam. Ao contrário do Globe reconstruído, estas ruínas são autênticas — descobertas em 1989, são a única evidência in situ de um teatro da era de Shakespeare que possuímos.

Clink Prison
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Clink Prison

10 min

A prisão medieval do Bispo de Winchester, situada na South Bank numa área para além da jurisdição real, onde a Igreja detinha a sua própria justiça brutal. Esta 'liberdade' abrigava atores, jogadores e pecadores — e deu nome ao termo coloquial inglês para cadeia.

Winchester Palace Ruins
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Winchester Palace Ruins

10 min

As ruínas do Winchester Palace permanecem como um remanescente gótico dramático do poder eclesiástico medieval, a sua imponente muralha de pedra e janela rosácea marcando onde os Bispos de Winchester outrora detinham o domínio sobre a florescente e infame economia de Southwark a partir de fora da jurisdição real.

Borough Market
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Borough Market

15 min

Um mercado tem operado continuamente neste local há mais de 1.000 anos, tornando-o um dos espaços comerciais mais antigos de Londres. Hoje, o Borough Market prospera como um destino gastronómico celebrado, mas por baixo das bancas artesanais e vendedores gourmet jaz a infraestrutura medieval que outrora alimentou a crescente população de Southwark — e sustentou a extraordinária concentração de teatros que floresceu aqui.

Southwark Cathedral
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Southwark Cathedral

10 min

Uma catedral gótica medieval que remonta a 1220, a St Saviour's Church (agora Southwark Cathedral) serviu como o centro espiritual de um bairro conhecido pelo pecado e pelo espetáculo. O irmão de Shakespeare, Edmund, está enterrado aqui, John Harvard foi batizado aqui, e um vitral comemora as peças de Shakespeare.

Old London Bridge Site
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Old London Bridge Site

5 min

A medieval London Bridge era uma comunidade próspera com lojas, casas e uma capela — e, durante séculos, foi a única travessia do Tamisa em Londres. É aqui que Southwark começou, e onde os segredos do distrito periférico foram literalmente construídos sobre eles.

Uma amostra do tour

Esta é a história real de uma das paragens deste percurso — cada paragem tem a sua.

Millennium Bridge

Está prestes a cruzar um limiar — e não apenas uma ponte. A Millennium Bridge sob os seus pés é de vidro e aço, inequivocamente moderna. Mas, ao pisar o outro lado, está a recuar séculos até um lugar que prosperou precisamente porque existia nas sombras. Southwark era o maior segredo de Londres: o distrito onde as regras eram contornadas, onde os lucros disparavam e onde o teatro — escandaloso, emocionante, vivo — acontecia fora do alcance da lei. Durante quase dois séculos, foi aqui que o desejo vinha para ser satisfeito, onde a arte se tornava perigosa. Hoje, vamos reconstruir essa história, levantando camadas de gentrificação e placas de património para encontrar o porto medieval, a transgressão elisabetana, os palácios dos bispos e as arenas de combates de ursos. No final da caminhada, estará onde outrora se ergueu a London Bridge — a travessia medieval que criou Southwark em primeiro lugar. Este passeio é uma conspiração. Agora já faz parte do segredo. Está prestes a atravessar um rio. Parece simples, mas é a regra mais antiga de Southwark: atravessar a água significava entrar num mundo diferente. Pense nisto. A ponte sob os seus pés tem apenas vinte e cinco anos. É elegante, eficiente, totalmente moderna — estaiada, com toda a precisão matemática e aço contemporâneo. É também o oposto exato do que existia nos tempos de Shakespeare, mas, de alguma forma, cumpre a mesma função. Em 1599, o público não atravessava uma estrutura de aço; viajavam de barco pelo Tamisa ou usavam a London Bridge quatro quarteirões a leste. Mas faziam a mesma viagem. Estavam a atravessar o rio, a deixar para trás a respeitável jurisdição da City, a entrar em Southwark — onde as regras eram outras. Olhe para a St Paul's Cathedral por um momento. Aquela cúpula domina o horizonte da City, o assento da respeitabilidade, o assento do poder. A City podia ditar os termos à Coroa. A City tinha dinheiro, regras, autoridade. A City disse não aos teatros. Demasiado barulhentos, demasiado subversivos, cheios de gente comum a misturar-se com os seus superiores. O teatro era proibido dentro das muralhas da City. Mas Southwark? Southwark pertencia ao Bispo de Winchester. E o Bispo estava frequentemente ausente. Mais importante ainda, Southwark já tinha reputação. Era o lugar para onde se ia fazer o que não era permitido na margem norte. As prisões ficavam aqui — a Clink, a Marshalsea, lugares para onde a City enviava os seus desordeiros. Os bordéis ficavam aqui, escondidos ao longo da margem. As tabernas ficavam aqui. E logo, os teatros também estariam aqui. O Globe. O Rose. O Swan. Algumas das mentes mais brilhantes da época escreviam peças para públicos que cruzavam este rio especificamente porque queriam entrar num espaço para além da lei comum. Esse é o segredo que Southwark guardou durante cinco séculos: a transgressão e a arte andam de mãos dadas. Cruzava-se o rio para ver algo que não se podia ver em casa. Agora, vire-se e olhe em frente. Verá a Tate Modern a elevar-se do que era a Bankside Power Station — um edifício industrial massivo que outrora bombeou eletricidade para Londres. Agora bombeia cultura. Ao longo da South Bank, a reconstrução do Shakespeare's Globe ergue-se onde o original ardeu em 1613, uma fénix reconstruída a partir da obsessão histórica e da memória teatral. O Borough Market, um dos mercados mais antigos de Londres, ainda opera onde mercadores medievais descarregavam mercadorias dos navios. E, ao longe, The Shard — o edifício mais alto da Europa Ocidental — perfura o céu como uma agulha de vidro. Esta é a vingança de Southwark contra a respeitabilidade. Os bairros que outrora acolheram os proscritos e artistas de Londres foram renascidos como o seu coração cultural. O lugar onde ia fazer coisas proibidas é agora um destino de beleza, arte e história. A travessia continua a ser um limiar, mas, em vez de entrar num mundo de transgressão, está a entrar num mundo de transformação. Ao caminhar por esta ponte, está a fazer a mesma escolha que milhares fizeram antes de si: deixar o familiar para trás, dar um passo em direção à possibilidade, atravessar em direção a algo que só pode existir do outro lado. Vinham pelo teatro e pelos prazeres proibidos. Está aqui por algo igualmente humano — o desejo de ver o mundo de forma diferente. Então, vamos caminhar. A ponte é moderna, sim. Mas a viagem é antiga.

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