Retiro e a Milha de Ouro — Arte, Ciência e Natureza
Madrid · Spain

Retiro e a Milha de Ouro — Arte, Ciência e Natureza

Madrid, Spain
117
Duração (min)
5.2
Distância (km)
10
Paragens
Fácil
Dificuldade

Descrição

Caminhe pelo grandioso eixo Bourbon, desde a Puerta de Alcalá, passando pelo Parque do Retiro, até à Plaza de Cibeles, traçando o plano diretor do século XVIII que transformou Madrid numa capital europeia. Ao longo do caminho, descubra jardins escondidos, um palácio de cristal no bosque, o único monumento público a Lúcifer no mundo e o exterior de um dos maiores museus de arte do planeta.

Pontos de Destaque

Entre no Parque do Retiro pela monumental Puerta de Alcalá e passeie pelo Caminho das Estátuas Entre no Palacio de Cristal, um pavilhão de vidro e ferro refletido no seu próprio lago Encontre a Fuente del Ángel Caído — considerada o único monumento público ao Diabo no mundo Caminhe pelo Paseo del Prado, o boulevard Bourbon que liga o Prado, Neptuno e Cibeles Termine na Plaza de Cibeles, onde a fonte mais icónica de Madrid encontra o seu palácio mais extravagante

Paragens do Tour

Puerta de Alcalá
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Puerta de Alcalá

4 min

O arco triunfal neoclássico de 1778 que marca a entrada leste de Madrid — um monumento de granito à ambição Bourbon que serviu, outrora, como a entrada formal da cidade.

Parque del Buen Retiro — Paseo de las Estatuas
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Parque del Buen Retiro — Paseo de las Estatuas

5 min

Um passeio arborizado pelo Parque do Retiro ladeado por estátuas de monarcas espanhóis, originalmente esculpidas para o telhado do Palácio Real e exiladas aqui quando se provaram demasiado pesadas.

Monumento a Alfonso XII & Estanque Grande
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Monumento a Alfonso XII & Estanque Grande

5 min

A grande peça central do parque: um enorme lago de barcos dominado por uma colunata semicircular teatral e uma estátua equestre em homenagem ao rei que restaurou a monarquia espanhola.

Palacio de Cristal
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Palacio de Cristal

5 min

Um deslumbrante pavilhão de vidro e ferro de 1887, construído para albergar plantas exóticas das Filipinas e hoje usado como galeria de arte contemporânea pelo museu Reina Sofía.

Jardines de Cecilio Rodríguez
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Jardines de Cecilio Rodríguez

5 min

Um jardim escondido de estilo andaluz desenhado pelo jardineiro-chefe da cidade na década de 1940, com pavões, fontes de cerâmica e caminhos ladeados por ciprestes, raramente encontrados pelos visitantes.

Fuente del Ángel Caído
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Fuente del Ángel Caído

4 min

Uma escultura dramática de 1885 considerada o único monumento público no mundo a representar Lúcifer — colocada precisamente a 666 metros acima do nível do mar (por coincidência, não por desenho).

Real Jardín Botánico
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Real Jardín Botánico

5 min

O principal jardim botânico de Espanha, estabelecido por Carlos III em 1781 como parte do corredor científico do grande Paseo del Prado do Iluminismo.

Museo del Prado (exterior)
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Museo del Prado (exterior)

5 min

O exterior neoclássico de um dos maiores museus de arte do mundo, desenhado por Juan de Villanueva em 1785 como um gabinete de história natural antes de se tornar a casa de Velázquez, Goya e El Greco.

Fuente de Neptuno
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Fuente de Neptuno

4 min

Uma fonte do século XVIII que representa o deus do mar na sua carruagem, marcando a âncora sul do boulevard Bourbon e a linha divisória entre o território do Real Madrid e do Atlético.

Plaza de Cibeles
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Plaza de Cibeles

5 min

A praça mais icónica de Madrid, onde a deusa Cibeles cavalga a sua carruagem puxada por leões perante o extravagante Palacio de Comunicaciones — o ponto final de todo o eixo urbano Bourbon.

Uma amostra do tour

Esta é a história real de uma das paragens deste percurso — cada paragem tem a sua.

Puerta de Alcalá

Está perante um dos portões neoclássicos mais elegantes da Europa. É a Puerta de Alcalá, concluída em 1778, e o que vê é, essencialmente, Carlos III a dizer: Madrid chegou. Este não foi apenas um portão qualquer — foi a resposta de Espanha ao Arco do Triunfo antes mesmo de o Arco do Triunfo existir. Os franceses só completariam o seu arco triunfal em Paris em 1836. Espanha construiu este primeiro. Carlos III, que governou Espanha de 1759 a 1788, compreendeu algo crucial: uma capital europeia precisa de uma porta de entrada monumental. Madrid, na década de 1770, ainda era uma cidade castelhana poeirenta, caótica e sem planeamento. As ruas eram imundas. Não havia iluminação organizada, nem saneamento, nem a sensação de que esta era uma cidade de importância. Os Bourbon queriam mudar isso fundamentalmente. Não queriam apenas uma capital mais bonita — queriam sinalizar, arquitetónica e urbanisticamente, que Espanha era uma nação esclarecida e moderna. Este portão é a declaração inicial desse ambicioso projeto. Observe a fachada de granito à sua frente. Repare nos cinco arcos — um grande arco central ladeado por quatro mais pequenos. As proporções parecem certas, não parecem? Isso é o desenho de Francesco Sabatini em ação. Sabatini foi o arquiteto real que compreendia a geometria neoclássica como um compositor compreende a música. Cada ângulo, cada dimensão, serve o efeito. A inscrição no portão diz "Carlos III, o melhor alcaide de Madrid". Não é um exagero ou lisonja cortesã. Sob o seu reinado, Madrid ganhou iluminação pública, ruas pavimentadas, sistemas de esgotos, medidas de saúde pública e instituições culturais. A cidade foi reestruturada de raiz. Eis o que torna este portão verdadeiramente especial: não é apenas monumental — é posicionado. Olhe para o boulevard que se estende à sua frente. Esse é o início do Paseo del Prado. Carlos III e os seus planeadores perceberam algo notável: era possível construir um eixo único, uma espinha dorsal da Madrid esclarecida, que conetaria tudo o que valorizavam. Um parque real, um jardim botânico, um observatório astronómico e um museu de arte — tudo em linha reta. Tudo planeado deliberadamente. Tudo ainda lá, ainda a funcionar. Este portão marca onde essa visão começa. Fique aqui e imagine como seria a vista em 1778. O Paseo del Prado estava a ser construído, um boulevard largo onde antes existiam apenas campos e edifícios dispersos. O Parque do Retiro — o parque real pelo qual passará em breve — ficava diretamente a sul, mas estava a ser renovado e reinventado. O Jardim Botânico e o museu do Prado ainda estavam em fase de planeamento. Mas o portão já lá estava, já a apontar o caminho, já a dizer: siga esta linha. Caminhe por este eixo. Tudo o que precisa de compreender sobre a monarquia esclarecida está organizado ao longo deste caminho. O portão sobreviveu a dois séculos de caos em Madrid. Guerras, revoluções, cheias, atentados anarquistas, o regime de Franco, modernização, trânsito. Ainda se mantém de pé, ainda elegante, ainda a apontar o caminho pelo Paseo del Prado. E esse caminho ainda o leva, eventualmente, à fonte de Cibeles no outro extremo — a declaração final neste diálogo de 250 anos entre a ambição real e a beleza urbana. Fechará esse ciclo antes do fim do passeio. Por agora, aproveite este momento para se orientar e sentir a escala do que está prestes a experienciar. Dê meia volta. Olhe para o que está atrás de si — a cidade a expandir-se em todas as direções. Depois, vire-se novamente para o portão. Aquilo por onde está prestes a passar é um mundo desenhado deliberadamente. Nada disto é acidental. Os Bourbon planeavam tudo.

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