Madrid dos Habsburgos e dos Bourbon — Duas Dinastias, Uma Cidade
Madrid · Spain

Madrid dos Habsburgos e dos Bourbon — Duas Dinastias, Uma Cidade

Madrid, Spain
103
Duração (min)
4.3
Distância (km)
10
Paragens
Médio
Dificuldade

Descrição

Uma viagem arquitetónica no tempo, desde as origens islâmicas de Madrid no século IX, passando pela austeridade dos Habsburgos até à magnificência neoclássica dos Bourbon, revelando como duas dinastias construíram a cidade que vemos hoje.

Pontos de Destaque

Muralla Árabe: as pedras da fortaleza do século IX, mais antigas do que a própria Espanha Plaza Mayor: 237 varandas do poder teatral dos Habsburgos Museo del Prado: um templo Bourbon à ciência transformado em museu de arte Puerta de Alcalá: o primeiro arco triunfal moderno da Europa

Paragens do Tour

Muralla Árabe — A Muralha Mais Antiga
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Muralla Árabe — A Muralha Mais Antiga

5 min

Os vestígios do século IX de Mayrit, a fortaleza muçulmana que precedeu Madrid, cuja construção foi ordenada pelo emir Muhammad I entre 860 e 880 d.C. num promontório sobre o rio Manzanares.

San Nicolás de los Servitas
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San Nicolás de los Servitas

4 min

A torre de igreja mais antiga de Madrid, um minarete mudéjar do século XII convertido num campanário cristão após a Reconquista — a personificação arquitetónica do artesanato islâmico ao serviço do culto cristão.

Plaza de la Villa
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Plaza de la Villa

5 min

Três edifícios que abrangem três séculos — a Torre de los Lujanes do século XV, onde Francisco I de França foi aprisionado, a Casa de Cisneros do século XVI e a Casa de la Villa do século XVII — cada um marcando uma era diferente da ascensão de Madrid.

Plaza Mayor
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Plaza Mayor

5 min

A grande praça de Filipe III, concluída em 1619 pelo arquiteto Juan Gómez de Mora — 237 varandas dispostas como camarotes de teatro em torno de uma afirmação arquitetónica unificada do poder e austeridade dos Habsburgos.

Convento de las Descalzas Reales
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Convento de las Descalzas Reales

5 min

Um convento renascentista fundado em 1559 por Joana de Áustria, irmã de Filipe II, que esconde uma das coleções de arte mais ricas de Madrid atrás de paredes austeras dos Habsburgos — a pura dualidade arquitetónica no coração do poder.

Puerta del Sol — Real Casa de Correos
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Puerta del Sol — Real Casa de Correos

4 min

O elegante correio de Jacques Marquet de 1768 marca o pivô arquitetónico onde a austeridade dos Habsburgos cede lugar à elegância Bourbon e ao racionalismo do Iluminismo.

Fuente de Neptuno
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Fuente de Neptuno

4 min

A fonte de Neptuno (1782-1786), desenhada por Ventura Rodríguez e esculpida por Juan Pascual de Mena, personifica a visão de Carlos III de transformar Madrid através da beleza do Iluminismo, planeamento racional e magnificência cívica pública.

Museo del Prado (exterior)
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Museo del Prado (exterior)

5 min

Originalmente desenhado como um Gabinete de História Natural por Juan de Villanueva em 1785 para personificar os ideais do Iluminismo Bourbon, o Prado tornou-se o maior museu de arte de Espanha quando abriu ao público em 1819. O exterior neoclássico reflete a estética racional e monumental que marcou a transformação de Madrid sob Carlos III.

Plaza de Cibeles
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Plaza de Cibeles

4 min

A fonte neoclássica de Cibeles, encomendada por Carlos III e concluída em 1782, destaca-se como a joia da coroa da estética Bourbon — uma obra-prima em mármore branco onde a transformação de Madrid numa capital Iluminada atinge o seu zénite. Hoje, permanece viva com o ritual de ser o local das celebrações dos troféus do Real Madrid.

Puerta de Alcalá
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Puerta de Alcalá

5 min

O primeiro arco triunfal moderno da Europa, concluído em 1778 pelo arquiteto Francesco Sabatini, ergue-se como a afirmação monumental de Carlos III de que Madrid merecia portões de cidade dignos de uma grande capital europeia. A entrada neoclássica de granito marca o culminar da transformação Bourbon — o arco da fortaleza defensiva à capital iluminada completo.

Uma amostra do tour

Esta é a história real de uma das paragens deste percurso — cada paragem tem a sua.

Muralla Árabe — A Muralha Mais Antiga

Bem-vindo à Muralla Árabe, onde começa a nossa viagem através de nove séculos de Madrid. Está diante das fundações de uma fortaleza defensiva, construída no século IX quando este topo de colina precisava de muralhas e torres de vigia para sobreviver. Mas eis o que torna este passeio tão fascinante: cada pedra que verá nas próximas duas horas e meia diz-lhe exatamente quem detinha o poder em Madrid — e como queriam que o mundo o soubesse. Estamos prestes a percorrer uma revolução arquitetónica, da austeridade árabe ao drama dos Habsburgos e à elegância dos Bourbon. De fortaleza a palácio e a monumento. De «afaste-se» para «olhe para nós». Os edifícios não mentem. São registos de ambição, fé, conquista e reinvenção escritos em tijolo, ardósia e pedra. À medida que percorremos este arco de três quilómetros, verá como o poder altera a forma de uma cidade — e como as cidades revelam os segredos do poder. Pronto? Vamos. Eis algo que a maioria dos visitantes de Madrid nunca espera encontrar: está à frente de pedras que são mais antigas do que a própria Espanha. Estes fragmentos da Muralla Árabe datam do século IX, quando este local se chamava Mayrit, uma fortaleza construída pelo emir Muhammad I de Córdova para se defender da invasão dos reinos cristãos do norte. Observe estas pedras cuidadosamente. São a sua primeira pista de que a história de Madrid é muito mais estratificada do que poderia pensar. A muralha foi construída algures entre 860 e 880 — ninguém sabe a data exata, mas sabemos que foi ordenada por Muhammad I, que governou Córdova de 852 a 886. Esta era a fronteira. Imagine: uma série de fortalezas islâmicas espalhadas ao longo dos rios Douro e Tejo, cada uma delas um posto de guarda contra a expansão cristã. Mayrit era uma delas — não a maior, nem a mais importante, mas estrategicamente situada num promontório acima do Manzanares, com altura e distância suficientes para ver os atacantes a aproximarem-se. A partir daqui, podia vigiar as estradas do norte. Podia ver unidades organizadas a moverem-se contra si. Tinha tempo para se preparar. Agora observe a própria muralha. Repare na disposição das pedras. A face exterior, a parte voltada para os potenciais inimigos, foi construída para parecer formidável: espessa, cuidadosamente colocada, intimidante. Mas olhe para a linha da argamassa. Veja como as pedras interiores estão encaixadas. Há uma economia astuta em ação aqui. O interior da muralha está preenchido com materiais mais baratos, entulho na verdade, unidos com argamassa. É o equivalente arquitetónico de um bluff. Os engenheiros de Córdova compreendiam algo fundamental sobre o poder: por vezes, o que mais importa é o que se faz as pessoas acreditar que estão a ver. Uma fortaleza deve parecer impenetrável, mesmo que o interior não corresponda ao exterior. Gaste menos no que ninguém vê. Faça com que o que eles veem conte. A muralha delimitava cerca de 2,5 hectares — talvez 6 acres — mas o suficiente para proteger uma guarnição, uma pequena mesquita, edifícios administrativos e um povoado civil de algumas centenas de pessoas. O rio Manzanares protegia-o de um lado, fluindo muito abaixo no seu desfiladeiro. A muralha fazia o resto. Durante quase dois séculos, de cerca de 880 até à Reconquista cristã em 1085, esta fortaleza esteve de vigia. Mercadores passavam por baixo. Soldados entravam e saíam pelos portões. Cerimónias religiosas aconteciam lá dentro. A vida aconteceu aqui de formas que mal conseguimos reconstruir — mas as pedras lembram-se. Veja onde está agora. A muralha percorre a Cuesta de la Vega, logo a norte da Catedral de la Almudena. Está entre a antiga fortaleza e o que se tornou o Palácio Real. Do outro lado, no Parque de Emir Mohamed, sobrevivem mais secções. Declararam-na Monumento Histórico-Artístico Nacional em 1954, reconhecendo o que estas pedras representam. Não apenas arquitetura, mas o momento do início de Madrid. Depois veio a Reconquista. Em 1085, as forças cristãs sob o comando de Afonso VI tomaram a cidade. Poderia esperar que os conquistadores derrubassem estas muralhas islâmicas, que apagassem os símbolos do domínio muçulmano. Em vez disso, aconteceu algo mais pragmático e interessante. Não destruíram o que funcionava. Deixaram estas muralhas de pé, absorveram-nas no seu próprio esquema defensivo. Construíram igrejas, palácios e ruas à volta delas. Reutilizaram-nas. Esta muralha continuaria a proteger a Madrid cristã durante mais 500 anos. A ironia merece reflexão: estas pedras, construídas por um emir muçulmano para se defender da expansão cristã, acabaram por proteger a Madrid cristã durante meio milénio. Os edifícios mudam de mãos. O poder altera-se. Dinastias surgem e caem. Mas um bom trabalho de pedra perdura. Estas muralhas sobreviveram à Reconquista. Sobreviveram à Idade Média. Sobreviveram a todo o período de domínio dos Habsburgos e dos Bourbon. Ainda aqui estão, fragmentos de uma fortaleza anterior a qualquer monarquia que a Espanha conheceu. Fique aqui e estará literalmente no início da história arquitetónica de Madrid. Estas são as pedras sobreviventes mais antigas da cidade, a fundação de tudo o que veio depois. Está a olhar para Mayrit, o momento antes de Madrid se tornar Madrid. Quando chegarmos ao fim deste passeio — à Plaza Mayor dos Habsburgos com o seu poder teatral, aos bulevares do Iluminismo de Carlos III, àquela triunfante Puerta de Alcalá — compreenderá como funciona esta progressão. Mas tudo começa aqui. Com uma fortaleza. Com pedras. Com uma pergunta que ecoará através de cada edifício que visitarmos: o que é que um edifício nos diz sobre quem estava no poder e o que esse poder escolheu construir?

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